09
abr

Por que o arquiteto precisa viajar?

Inspirada na viagem que farei pela Europa em breve, resolvi escrever este texto para refletir sobre a seguinte questão: Por que o arquiteto precisa viajar?

Vista do Huayna Picchu para o Machu Picchu, Peru.

Viajar é preciso para qualquer ser humano e sempre foi uma das maiores paixões da minha vida. Ao viajar, saímos da rotina, aumentamos o nosso repertório, conhecemos novas pessoas e lugares. Mas, para aqueles que estudaram design, arquitetura e urbanismo, as viagens têm um significado especial.

O tempo todo, em nossa profissão, somos desafiados a travar contato com diversos tipos de pessoas. Sejam elas clientes, construtores ou fornecedores, estamos sempre dialogando com indivíduos com vivências de mundo diferentes das nossas. Viajar expande a nossa capacidade de interação e compreensão de novas culturas, de forma que desenvolvemos a nossa empatia e relacionamentos pessoais. Isso é essencial para o trabalho do arquiteto.

Galeria Cláudia Anjudar, Inhotim – Minas Gerais.

Além disso, outro fator fundamental é o desenvolvimento da nossa criatividade. Ao nos deparar com situações novas e espaços inéditos, quebramos a rotina e monotonia que muitas vezes fazem parte do nosso dia a dia de escritório. Ao conhecer e desvendar novas obras arquitetônicas e complexos urbanos, ampliamos o nosso repertório de referências. Tudo isso é fundamental para a criação de soluções inovadoras e autênticas em nossos projetos.

Caverna Temimina, PETAR – São Paulo.

Porém, é imprescindível frisar que para desenvolver essas potencialidades devemos viajar de mente e coração abertos. Só assim poderemos compreender a cultura, hábitos e costumes de uma determinada nação e captar qual é o impacto das soluções espaciais na vida das pessoas. Precisamos colocar em prática o nosso olhar crítico para refletir sobre questões como mobilidade urbana, escala do indivíduo perante as edificações, soluções técnicas e construtivas, materialidade empregada nas construções, etc. O que levou os arquitetos da região a empregarem tais soluções? Qual é a aceitação espacial que as pessoas têm com relação aos espaços criados?

Fortaleza dos Guardiões, Dianópolis – Tocantins.

A nossa profissão tem a grande vantagem de nos desenvolver além dos horizontes profissionais. Não somos arquitetos apenas de formação, somos arquitetos porque optamos por trabalhar em uma área que nos permite enxergar o mundo e os espaços de forma diferente e mais abrangente. Nós jamais devemos desvincular o nosso olhar arquitetônico das viagens que decidimos fazer. Devemos apenas aprimorá-lo para aumentar o nosso repertório de forma mais efetiva e consciente.

Por fim, todos sabemos que nunca mais seremos os mesmos após uma viagem. Sempre algo se transforma dentro de nós. Entrar em contato com o novo nos ensina muita coisa e pode nos levar a pensar de forma muito mais criativa e inovadora. Por isso planeje-se, trace roteiros, procure dicas em sites confiáveis, compre as passagens e curta suas viagens com um olhar mais desenvolvido e apurado de arquiteto!

Igreja São Francisco de Assis, Ouro Preto – Minas Gerais.